quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Um trem que flutua em direção a um futuro sustentável

17/02/2016 - O Globo 


Como um tapete mágico, flutuando silenciosamente e sem poluir o meio ambiente, o trem de levitação magnética (Maglev- Cobra), desenvolvido há 16 anos pela Coppe/ UFRJ, abriu as portas ontem para o público na Ilha do Fundão. As viagens na linha experimental de 200 metros, que liga o Centro de Tecnologia (CT) ao Centro de Tecnologia 2 (CT 2), serão realizadas todas as terças-feiras em dois horários distintos: de 11h às 12h e de 14 às 15h.

Com os testes, os pesquisadores do Laboratório de Aplicações de Supercondutores da Coppe/ UFRJ pretendem conseguir, ano que vem, a certificação para operar o trem comercialmente. Para o professor Richard Stephan, coordenador do projeto, seria viável a construção, a partir de 2020, de uma linha de cinco quilômetros ligando o BRT Transcarioca ao Parque Tecnológico.

— Essa construção seria a nossa abertura para o mundo. O veículo está sendo desenvolvido para ser usado na malha urbana, não é de alta velocidade. No ano passado, conseguimos fazer os ajustes necessários para agora abrir ao público com segurança — disse Stephan, ressaltando as vantagens do novo modal. — Além do silêncio e do menor consumo de energia, o custo chega a ser três ou até cinco vezes menor do que o metrô subterrâneo. Se formos comparar com o VLT ou um monorail, é bem provável que chegue a um custo similar.

O professor, que sugere a criação de oito estações no campus da UFRJ, explica que em vez de roda, o trem de quatro módulos utiliza levitação. A pista de testes possui placas de ímãs instaladas nos dois lados. No meio, supercondutores impedem a passagem do campo magnético, fazendo o veículo flutuar cerca de um centímetro.

Por ser uma linha experimental, o MaglevCobra transporta 10 passageiros por viagem (podendo chegar até 30 pessoas) a uma velocidade de 10 km/ hora. No entanto, de acordo com Stephan, é possível conectar novos módulos, de 1,5 metro de comprimento cada, e aumentar a capacidade do veículo, que, em percursos mais longos, pode chegar a 100 km/ h.

Assim como alunos, funcionários e professores, a pesquisadora Marta Amorim, de 54 anos, resolveu dar um passeio no novo veículo na manhã de ontem. Agora, ela espera que o novo modal seja aplicado em larga escala.

— Não teve trepidação. Gostei mais do silêncio e da maciez. Parecia que eu estava flutuando. O metrô sacode, por exemplo — afirmou.

Desde 2000, quando começaram as pesquisas para a aplicação da levitação voltada para o transporte urbano, já foram investidos cerca de R$ 15 milhões, segundo o coordenador do projeto. A maior parte dos recursos veio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O professor aguarda novos investidores para que o veículo possa ser fabricado em escala comercial.

De acordo com Stephan, o MaglevCobra é o primeiro veículo no mundo a transportar passageiros utilizando levitação magnética por supercondutividade e ímãs. A mesma tecnologia vem sendo testada na China e na Alemanha. Outros três veículos desenvolvidos no Japão, na China e na Coreia do Sul utilizam outra forma de levitação.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Brasil está no topo das pesquisas para fabricação de trens de levitação magnética para circulação urbana

06/04/2015 - Jornal da Ciência

Um projeto baseado no uso da tecnologia de levitação supercondutora (SML), desenvolvido desde o ano 2000 pelo Laboratório de Aplicações em Supercondutores da Coppe/UFRJ, inseriu o Brasil entre os países mais avançados na pesquisa para fabricação de trens de levitação magnética com circulação urbana, que trafegam com velocidade baixa, 70km/h. O fruto desse projeto é o MagLev-Cobra, primeiro trem de levitação fabricado no Brasil, que está em fase de testes na Ilha do Fundão desde 2012. Para 2015, o grande desafio, segundo o coordenador do projeto, o engenheiro Richard M. Stephan, professor titular da Coppe Engenharia Elétrica, é obter a certificação do MagLev-Cobra, a fim de torná-lo comercialmente viável. 

Ainda em fase de protótipo, porém em estágio avançado de testes, com a inauguração em outubro de 2014 de um trecho para circulação de passageiros com 200 metros em plataforma elevada no campus da UFRJ, o MagLev-Cobra foi projetado com seis vagões, cada um com capacidade média de cinco passageiros por metro quadrado. Ele levita sobre trilhos de imãs terras raras, e Stephan explica que o nome é uma alusão ao movimento serpenteado dos vagões. 

O MagLev-Cobra tem um motor movido a energia elétrica, com uma média de consumo 10% menor do que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Para manter a levitação, cada vagão tem seis criostatos, abastecidos por nitrogênio líquido. Cada criostato tem capacidade máxima para três litros de nitrogênio. 

Podemos dizer que estamos avançados nesta pesquisa, uma vez que aplicações com SML só se tornaram possível a partir da década de 80, com o desenvolvimento dos ímãs de terras raras, em 1983, e com a sintetização dos supercondutores de elevada temperatura crítica, em 1987, diz Stephan. 

Semelhante ao projeto da Coppe, que usa a tecnologia SML para o desenvolvimento de trem de levitação, há outros dois no mundo. Também em fase de testes, porém com percursos menores. Na China, na cidade de Chengdu, os testes são feitos em um trecho de sete metros. Na Alemanha, em Dresden, os testes ocorrem em uma área com percurso total de 30 metros. 

Vantagem sobre o VLT 

Stephan explica que, com relação ao VLT, o MagLev-Cobra apresenta vantagens, porque tem baixo impacto ecológico. Na prática, isso significa baixo consumo de energia, baixo ruído audível e reduzido impacto de construção civil. O Maglev não perturba a vida da cidade. Não há riscos de atropelamentos, porque a plataforma é elevada, cerca de três a quatro metros de altura, em média. A cidade pode viver sem intervenções abaixo da plataforma. 

O coordenador do projeto, diz ainda que é uma forma de conferir mais qualidade à mobilidade urbana, embora não seja classificado como transporte de massa. Ele não substitui o metrô, cuja capacidade é de 12 pessoas por metrô quadrado, mas pode ajudar na capilaridade, já que o custo de implantação é menor. Ainda é cedo para termos um custo exato, mas estimo que, para cada um quilômetro de estação do Maglev, o custo total chegue a R$ 30 milhões. No metrô, o custo médio por quilômetro está na faixa de R$ 100 milhões, detalha. 

No perímetro urbano, uma das aplicações mais viáveis para o trem de levitação seria atuar como integrador de polos geradores de viagem, como aeroportos, terminais rodoviários e locais de trânsito intenso de pessoas, como o Shopping Nova América. 

É perfeitamente viável, por exemplo, construir um trecho de trem de levitação entre o Aeroporto Santos Dumont e a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro. Outra possível aplicação seria interligar a futura estação do metrô na Barra a bairros próximos, como Jacarepaguá. Em um projeto com MagLev, o ideal é ter estações a cada um quilômetro, detalha Stephan. 

Um dos maiores impactos no custo é o trilho de ímãs terras raras. Stephan diz que comprou os ímãs da China para fazer o projeto do Maglev-Cobra, mas que o Brasil tem condições de desenvolver essa indústria. Se o MagLev for uma opção de transporte, haverá demanda, e podemos impulsionar essa indústria no país, assim como o mercado de supercondutores e de vagões leves, afirma.

O coordenador do projeto comenta que os trens de levitação de alta velocidade, que alcançam 450km/h, também são realidade em alguns países, como Japão, China e Alemanha. Mas, na visão do professor da Coppe, são projetos de pouca viabilidade econômica, porque o custo para compor o trilho de ímã de terras raras é muito alto. Na Coppe, os custos de manutenção desse trilho ainda estão sendo estudados. 

Em apresentação para os integrantes do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), em 31 de março, Stephan explicou os detalhes do uso da tecnologia para fabricação de trens de levitação, que podem ser desenvolvidos também por métodos de EDL (levitação eletrodinâmica) e EML (levitação eletromagnética). Esses trens estão em funcionamento nos EUA, China, Japão e Coréia do Sul.

Fonte: Jornal da Ciência
Publicada em:: 06/04/2015

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Coppe inicia testes do Maglev-Cobra

Visitantes Visita Tecnica

Visitantes Visita Tecnica
A Coppe/UFRJ iniciou, hoje, 1º de outubro, a fase de testes operacionais do trem de levitação magnética, o Maglev-Cobra. A primeira viagem do veículo aconteceu na manhã desta quarta-feira, durante visita técnica de cerca de 60 pesquisadores de vários países à linha de testes do trem de levitação magnética da Coppe, na Cidade Universitária. A visita fez parte da programação da 22ª Conferência Internacional sobre Sistemas de Levitação Magnética e Motores Lineares – Maglev 2014, realizada de 28 de setembro a 1º de outubro, no Rio de Janeiro, que reuniu os maiores especialistas em levitação magnética do mundo. Os testes se estenderão até 2015, quando o veículo será inaugurado, e passará a transportar alunos, professores, funcionários e visitantes do campus.

A data de hoje tem um enorme significado para a Coppe/UFRJ e para a pesquisa no Brasil. Ao levitar e percorrer pela primeira vez a linha experimental de 200 metros que liga o Centro de Tecnologia 1 (CT 1) ao Centro de Tecnologia 2 (CT 2) da UFRJ, o Maglev-Cobra inseriu o Brasil no pequeno grupo formado pelos países detentores das tecnologias de levitação magnética até o momento: Alemanha, China, Japão e EUA.

Maglev teste

Maglev teste
O Maglev-Cobra é o primeiro veículo no mundo a transportar passageiros utilizando a tecnologia de levitação magnética por supercondutividade. A Alemanha e a China também já fazem experiências com essa mesma tecnologia, mas os seus projetos ainda se encontram em fase de testes em laboratório. Ainda não foram implantadas linhas de teste.

Alemanha, China e Japão já aplicam a levitação magnética ao transporte. No Japão e na China, que utiliza o processo desenvolvido na Alemanha, as tecnologias de levitação magnética adotadas são a eletromagnética e a eletrodinâmica. Os Estados Unidos possuem alguns projetos, mas ainda não implantaram linhas de teste.

"O início da fase de testes do Maglev-Cobra representa uma ruptura de barreira tecnológica para o Brasil. A nova etapa tornará mais visível para a sociedade esse projeto voltado para o transporte urbano de passageiros. O próximo passo será buscar financiadores e parceiros para que o projeto entre em operação comercial", afirmou o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ (à direita na foto abaixo).

Visita Prof. Pinguelli
Visita Prof. Pinguelli

A expectativa é que aconteça no Brasil o mesmo que ocorreu no Japão, onde a linha de testes de Yamanashi, criada em 1997, com 18,4 km, foi remodelada e ampliada para 42,8 km em 2013. Até 2011, foram percorridos 874 mil quilômetros em testes. Ontem, durante sua palestra na 22ª Conferência Internacional Maglev, o professor da Universidade de Tóquio, Hiroyuki Ohsaki, informou ontem que a ligação comercial por trem Maglev entre Tóquio e Nagoya deverá ser inaugurada em 2027. Uma outra linha, entre Tóquio e Osaka, deverá começar a operar até 2045.

"Estou me sentindo como um pai no dia do nascimento do filho", afirmou o coordenador do projeto do Maglev-Cobra, Richard Magdalena Stephan, professor da Coppe/UFRJ. "Agora é educar essa criança. O trabalho está apenas começando", disse Stephan referindo-se ao início da fase de testes na linha de demonstração, durante a qual o projeto receberá os ajustes necessários.

Visita técnica inicia fase de testes do veículo
Maglev visitação
Maglev visitação

O primeiro dia de testes do Maglev-Cobra na linha experimental na Cidade Universitária foi acompanhado de perto por cerca de 60 pesquisadores do Brasil e do exterior. Entre eles estavam alguns dos maiores especialistas do mundo em levitação magnética, como o professor da Universidade de Tóquio, Hiroyuki Ohsaki, autor de importantes estudos sobre supercondutividade, sistemas de acionamento linear e magnético; o vice-diretor do National MagLev Transportation Development da China, Lin Guobin, responsável pelo projeto do trem Maglev de Shanghai; o consultor americano, Laurence Blow, que desenvolve estudos para aplicação da tecnologia de levitação magnética em trens de alta velocidade e para transporte urbano; e o pesquisador Rüdiger Appunn, do Institute of Electrical Machines (IEM) da Alemanha, que iniciou estudos para aplicação da levitação magnética na propulsão de elvadores.

Ao final da fase de testes, o Maglev-Cobra será certificado por uma instituição técnica, que avaliará o desempenho do veículo de levitação em quesitos como estabilidade, propulsão, velocidade, aceleração e frenagem. Após receber o aval do órgão ou empresa certificadora, o Maglev-Cobra estará apto para entrar em fase de industrialização e poderá ser implantado em trajetos mais longos.

Prof. Richard
Prof. Richard

De acordo com o professor Richard Stephan (foto acima), um dos próximos passos é a realização de testes em linhas maiores. "O Plano Diretor da UFRJ para a Cidade Universitária prevê a implantação de uma linha do Maglev-Cobra ligando a estação do BRT da Ilha do Fundão até o Parque Tecnológico da UFRJ", explicou Richard Stephan, que coordena o Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) da Coppe.

O projeto da Coppe já começa a fase de testes operacionais no nível 7 de uma escala de evolução tecnológica utilizada pela Nasa, que vai até 9. "Ao atingir a etapa seguinte, o projeto estará pronto para a industrialização", adianta Richard Stephan. Segundo o professor da Coppe, na etapa atual de desenvolvimento o Maglev será conduzido por um piloto. Os pesquisadores do Lasup, no entanto, já estão trabalhando para que a próxima versão do trem circule de forma automática, sem a presença de um condutor.

Sobre o Maglev-Cobra
Passageiros
Passageiros

Esta versão do Maglev-Cobra é composta por quatro módulos de 1,5 metro de comprimento cada e pode transportar até 30 passageiros por viagem. Mas é possível conectar novos módulos e aumentar a capacidade caso haja necessidade. Como se trata de uma linha experimental para demonstrar a tecnologia de levitação, o trem circulará a uma velocidade de 20 km/hora. Entretanto, o veículo poderá atingir até 100 km/hora ou mais, com segurança, em percursos mais longos.

O Maglev-Cobra tem uma série de vantagens se comparado a outros meios de transporte. A principal delas é o baixo custo de implantação por quilômetro, que é de cerca de 1/3 do valor necessário para implantação do metrô na mesma extensão. Isso se deve ao fato de o Maglev dispensar a construção de instalações complexas e dispendiosas. A linha de demonstração existente na Coppe, por exemplo, foi instalada em uma passarela sustentada por pilares, que não interfere ou obstrui a passagem de veículos e pedestres.

A operação silenciosa e a não emissão de poluentes são outras vantagens do trem de levitação, que é movido à energia elétrica da rede convencional. O projeto de implantação de linha experimental incluiu também a instalação de quatro painéis de energia solar fotovoltaica capazes de gerar energia suficiente para alimentar o veículo.

O trem de levitação magnética também leva vantagens sobre os trens convencionais do tipo roda-trilho. "O trem de levitação magnética é mais rápido do que os trens roda-trilho na velocidade de cruzeiro, na aceleração e na frenagem", explicou o professor Richard Stephan.

Para desenvolver o projeto do Maglev-Cobra, a Coppe/UFRJ contou com financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e com o apoio da OAS, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, da Vallourec, da White Martins, da Akzo Nobel e da Weg.

Saiba mais no Planeta Coppe:

Maglev Cobra é aprovado por especialistas .

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

No Fundão, trem de levitação magnética começará a ser construído em agosto

Com investimento de R$ 5,8 milhões, locomotiva não é barulhenta e não emite gases-estufa na atmosfera

POR CLÁUDIO MOTTA

15/06/2012 - O Globo

 Trem de levitação magnética lançado pela Coppe/UFRJ na Rio+20: previsão é que a construção comece em agosto Foto: Divulgação
Trem de levitação magnética lançado pela Coppe/UFRJ na Rio+20: previsão é que a construção comece em agosto - Divulgação

RIO — Uma nova proposta para melhorar a mobilidade no Rio vai começar a flutuar a partir de 2014. Daqui a dois meses, iniciam as obras para o primeiro trem de levitação magnética do Brasil, com a construção da estrutura metálica por onde a composição, com capacidade para 30 pessoas, passará. O dinheiro virá de um convênio de R$ 5,8 milhões da UFRJ com o BNDES, com o apoio da Faperj, que foi celebrado nesta sexta-feira no Parque dos Atletas.

Cortando os 200 metros entre dois prédios do Centro Tecnológico da Coppe/UFRJ, na Ilha do Fundão, o protótipo do Maglev-Cobra, como é chamado o veículo, é o primeiro passo para que a tecnologia ganhe escala comercial. O trem levita graças ao campo magnético criado por imãs de terras raras e supercondutores, estes mantidos a uma temperatura de 196 graus negativos com nitrogênio líquido.

Quando estiver em funcionamento, não haverá barulho nem emissão de gases-estufa na atmosfera. O trem pode acelerar e desacelerar mais rapidamente, fazer curvas mais acentuadas do que um metrô (por isso o nome cobra), e, principalmente, não tem rodas nem trilhos: a composição paira no ar.

— Não é bruxaria, é ciência — explicou Richard Stephan, do Laboratório de Aplicações de Supercondutores da Coppe, um dos responsáveis pelo projeto — A ideia é que esses primeiros 200 metros sejam ampliados, fazendo a ligação entre os aeroportos Santos Dumont e Tom Jobim, passando pela UFRJ.

Os pesquisadores da Coppe dizem, ainda, que o trem de levitação magnética seria muito útil no transporte de passageiros na cidade, podendo ser usado no lugar do VLT previsto para o Centro ou até mesmo atuar em corredores como os dos BRTs (mas sem compartilhar a via). Sua capacidade é de 5 passageiros por metro quadrado, e a velocidade máxima de 70 Km/h. No fundão, ela será limitada a 20 Km/h, porque correrá numa linha de apenas 200 metros, suspensa pela passarela metálica tubular.

Diferentemente do que pode parecer, manter um trem que levita gasta menos energia do que fazer funcionar o metrô, explicam os especialistas. O Maglev-Cobra, que começou a ser desenvolvido em 1998, também é mais eficiente do que ônibus e aviões. Além da eletricidade, usada para alimentar o motor que movimenta a composição, é necessário usar nitrogênio líquido para refrigerar os supercondutores, que não é caro. Um litro custa R$ 0,70.

Andar no trem que flutua já é possível. Um protótipo funcional foi concluído ontem, está no laboratório do Fundão. São 12 metros e capacidade para oito passageiros, para que os pesquisadores possam fazer testes.

Read more: http://oglobo.globo.com/economia/rio20/no-fundao-trem-de-levitacao-magnetica-comecara-ser-construido-em-agosto-5224337#ixzz3EzqaWf8D

Trem desenvolvido por brasileiros levita sobre os trilhos

01/10/2014 - Jornal Nacional

Foi apresentado nesta quarta-feira (1), no Rio, um protótipo do primeiro trem urbano de levitação magnética do Hemisfério Sul. O trem foi desenvolvido por engenheiros da Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e testado pelos maiores especialistas do mundo.

A viagem é curta, mas suficiente para mostrar o que há de mais moderno no mundo em levitação magnética supercondutora. Repare nas rodinhas na parte inferior do trem: elas não tocam os trilhos, mas podem ser usadas numa situação de emergência.

A pista de testes tem placas de ímã instaladas dos dois lados. Embaixo do veículo, um supercondutor, ou seja, um material de tecnologia de ponta, que impede a passagem do campo magnético, o que faz o trem levitar.

O protótipo tem motor movido a energia elétrica e pode atingir até 100 quilômetros por hora. Essa mesma tecnologia vem sendo testada na Alemanha e na China, mas o trem brasileiro é o que está em estágio mais avançado.

A gente agora vai dar uma voltinha no trem de levitação magnética. O que se percebe é que ele é bem silencioso, estável - balança bem pouquinho. Segundo os especialistas, é muito mais econômico do que o metrô e não poluente. Esse teste com passageiros é o primeiro passo para a certificação e a industrialização.

"O próximo passo seria uma aplicação para um trecho maior, evidentemente depois de ter todo esse processo de certificação efetuado e isso pode ser efetuado aqui", afirma o coordenador do projeto, Richard Stephan.

O trem foi projetado para transporte urbano e aguarda investidores para ser fabricado em escala comercial.

"O que falta, essencialmente, é o lado econômico, a demonstração de custos, seja de construção, seja de operação e a viabilização dele como um veículo seguro e que poder ter um uso urbano, como é destinado", explica o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa.

Clique no link e assista a reportagem:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/10/trem-desenvolvido-por-engenheiros-brasileiros-levita-sobre-os-trilhos.html

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

UFRJ testará trem de levitação magnética

23/09/2014 - O Dia

O primeiro trem de levitação magnética fabricado no país, o Maglev-Cobra, desenvolvimento pela Coppe, da UFRJ, começará a fase de testes operacionais no próximo dia 1º. Um time de pesquisadores estrangeiros chegará ao Rio no próximo domingo para participar de uma conferência e conhecer o veículo flutuante no trajeto em que ele vai funcionar, os 200 metros compreendidos entre dois centros tecnológicos da Cidade Universitária, na Ilha do Fundão.

A composição de quatro módulos (1,5 metro cada um), movido a energia elétrica, não emite dióxido de carbono nem quaisquer ruídos e terá capacidade para 30 passageiros — em princípio, os frequentadores do campus universitário. O projeto contempla ainda a instalação de painéis de energia solar capazes de gerar energia suficiente para alimentar o veículo. Durante a primeira etapa de testes e ajustes da máquina, a velocidade do trem será limitada a 20 quilômetros por hora (km/h). Entretanto, segundo os pesquisadores, o veículo poderá alcançar mais de 100 km/h, dependendo da via.

Além dos benefícios ambientais, a tecnologia de flutuação magnética tem vantagens econômicas. Um quilômetro de construção de um trilho do trem de levitação magnética custará um terço do valor necessário para cada quilômetro construído de metrô. Hoje, um quilômetro de metrô subterrâneo custa de R$ 300 a R$ 400 milhões, segundo o professor da PUC Fernando MacDowell, especialista em sistemas metroviários. As obras das estações na Cidade Universitária começaram em abril do ano passado.

Desenvolvido no Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) da Coppe, sob a coordenação do professor Richard Stephan, o Maglev será finalizado em 2015, segundo a instituição. O Maglev-Cobra, de acordo com Stephan, está hoje no nível sete de uma escala de evolução tecnológica até dez utilizada pela Nasa, a Agência Espacial dos Estados Unidos. “Ao atingir a etapa seguinte, o projeto estará pronto para a industrialização”, afirmou Stephan.

O teste do maglev brasileiro, com os especialistas a bordo, vai fechar a 22ª Conferência Internacional sobre Sistemas de Levitação Magnética. Entre os participantes estão Lin Guobin, responsável pelo projeto do maglev chinês, e Kay Hameyer, diretor do Instituto de Máquinas Elétricas da Alemanha. Segundo a Coppe, chineses e alemães compartilham com o Brasil a liderança das pesquisas sobre a levitação magnética aplicada à mobilidade urbana.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Começam as obras do trem de levitação magnética da Coppe

25/04/2013 - Planeta Coppe

Maglev Imagem 3

Dentro de um ano, os frequentadores da Cidade Universitária serão as primeiras pessoas na América Latina a viajar num trem que levita. Começou, em abril, a obra da estação de embarque do Maglev-Cobra, o trem de levitação magnética da Coppe/UFRJ que ligará inicialmente os dois centros de tecnologia da UFRJ: o CT1 e o CT2. A implantação do Maglev-Cobra é fruto de convênios firmados com o BNDES e com a Faperj, nos valores de R$ 5,8 milhões e R$ 4,7 milhões, respectivamente.

Prof. Richard, coordenador do projeto
Prof. Richard, coordenador do projeto
Prof. Richard: "O Maglev-Cobra coloca o Brasil em lugar de destaque no desenvolvimento de tecnologias de levitação"

Desenvolvido no Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) da Coppe, sob a coordenação do professor Richard Stephan, o Maglev-Cobra terá capacidade para transportar até 30 passageiros em quatro módulos que estão sendo construídos na Cidade Universitária pela empresa Holos. O veículo, que dispensa rodas, não emite ruído e nem gases de efeito estufa, entrará em operação em 2014, antes da Copa do Mundo, percorrendo um trajeto de 200 metros.

A instalação da nova estação também contempla um projeto elaborado pelo Horto da Prefeitura Universitária, que inclui o replantio das árvores e um novo paisagismo nas proximidades da linha do veículo.
Brasil está à frente em tecnologias de levitação

Maglev Imagem 2

“O Maglev-Cobra coloca o Brasil em lugar de destaque no desenvolvimento de tecnologias de levitação”, afirma o professor Richard Stephan. Segundo ele, a China e a Alemanha estão criando, no momento, protótipos em laboratório com essa tecnologia, mas o Brasil já está construindo uma linha operacional.
Além de sustentável, o veículo também é econômico. Suas obras de infraestrutura chegam a ser 70% mais baratas do que as obras do metrô subterrâneo, com muito menos impacto na vida da cidade. A construção de um metrô no Rio de Janeiro tem o custo de R$ 100 milhões por quilômetro. Já o trem de levitação, calculam os pesquisadores, poderá ser implantado por cerca de R$ 33 milhões por quilômetro.
“Na área de transporte público, podemos dizer que o Maglev é um dos veículos mais limpos do mundo, em termos de emissões. Trata-se de uma solução para o transporte urbano, perfeitamente adaptável a qualquer tipo de topografia”, ressalta Stephan.

Levitação

Levitação
O pioneirismo do Maglev-Cobra está na utilização da técnica de levitação com emprego de supercondutores e imãs de terras raras. Os supercondutores são refrigerados com nitrogênio líquido a uma temperatura de -196ºC. Um protótipo funcional utilizado hoje no laboratório de testes desliza por um trilho de 12 metros, com 8 passageiros. Movido a energia elétrica, o Maglev possui baixo consumo de energia, cerca de 25 kJ/pkm (unidade que mede a quantidade de energia gasta para transportar cada passageiro por um quilômetro). Para se ter ideia da vantagem da tecnologia em termos de eficiência energética, o consumo de um ônibus comum é de 400 kJ/pkm e o de um avião é de 1.200 kJ/pkm.

Saiba mais sobre a tecnologia no vídeo apresentado na exposição promovida pela Coppe na Rio+20: Maglev-Cobra